4.1 Refrescamento
O suporte físico corre risco de se deteriorar ou se tornar obsoleto a ponto de nenhum outro periférico ser compatível com ele, ocasionando perda irreversível da informação. Para contornar esse tipo de problema, o refrescamento ou atualização de dados são pré-requisitos para qualquer estratégia de preservação. Através da atualização de dados, é possível detectar falhas anteriormente não percebidas, obter uma padronização de dados e até mesmo converter para novos formatos utilizando softwares atualizados ou com a última versão no mercado.
A emulação é um processo que consiste em dispor de um sistema que funcione do mesmo modo que outro de tipologia diferente, para rodar programas. A emulação permite obter as características de determinado software ou hardware fielmente, sem nenhuma perda de dados. Segundo Ferreira (2006), essa estratégia tem a vantagem de preservar as características e as funcionalidades do objeto digital original com um grau elevado de fidelidade. Esse tipo de processo é utilizado na preservação justamente por conseguir emular dados considerados obsoletos ou muito antigos e por manter o estado lógico do formato original a ser emulado. O uso de emuladores pressupõe que os utilizadores do futuro serão capazes de operar as aplicações e sistemas operativos obsoletos e desaparecidos. Além disso, dados que são considerados dinâmicos e que exigem constantes atualizações viabilizam o uso de emuladores para a experimentação fidedigna.
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A migração periódica de um objeto digital – seja a partir de hardware, seja a partir de software – é considerada a atividade operacional mais utilizada por grandes instituições de acervo. A definição de migração consiste na transferência de dados na interface hardware-software ou na interface atualização-obsolescência. Gerações de tecnologia digital sofrem constantes mudanças, e a migração também abrange esse tipo de salto tecnológico.
Não existe ainda uma padronização dos formatos dos arquivos dos softwares. Isso significa que quando estivermos acessando um arquivo cujo formato é muito antigo ou obsoleto, não será possível vislumbrá-lo ou visualizá-lo. Dessa forma, a informação estará perdida. Para preservá-la, é necessário estabelecer um formato padrão para o metadado, em que qualquer software seja possível abri-lo. Segundo Ferreira (2006), o objeto digital exige “camadas” de intermediação tecnológica, envolvendo a interface hardware-software, sem as quais a informação não pode ser acessada. A “camada” final, destinada aos usuários, depende das “camadas” anteriores, e estas são vulneráveis à obsolescência tecnológica.
O propósito da migração, segundo Arellano (2004), é assegurar a capacidade dos usuários de recuperar, expor e usar os dados acompanhando a evolução dos meios tecnológicos. A importância disso está justamente no fato de transferir para novos formatos, preservando a integridade da informação original. A estratégia para migração consiste em estabelecer um modelo padronizado de gerador de formatos a fim de fixar um formato considerado padrão. A partir desse modelo padronizado, é necessário estabelecer normas e critérios que regulam os procedimentos, passo a passo, adequados para salvar os arquivos. Para questões de segurança de dados, a migração também pode ser feita para suportes analógicos como papel e microfilme; apenas objetos digitais estáticos, como textos ou imagens, podem usufruir desse método de migração (objetos dinâmicos ou interativos não podem ser simplesmente impressos em papel, por exemplo). Outro método de migração consiste na versão mais atualizada do software gerador de dados que, apesar de sua facilidade de uso e aplicação, é bastante dispendioso e caro.
Alguns objetos digitais somente serão acessados no futuro; no momento de sua criação, o público não mostra interesse para acessá-lo. O encapsulamento é um método de preservação digital que exige a observação do interesse do usuário para um estado no futuro, prevendo a necessidade de salvaguardar os dados exatamente como eles eram no momento de sua criação. Segundo Ferreira (2006, p. 43), “as soluções baseadas em encapsulamento procuram resolver esse problema mantendo os objetos digitais inalterados até ao momento em que se tornam efetivamente necessários”.
A estratégia de preservação digital baseada no encapsulamento consiste em preservar, juntamente com o objeto digital, toda a informação necessária e suficiente para permitir o desenvolvimento de conversores, visualizadores ou emuladores. Os elementos necessários para visualização do objeto digital também fazem parte das informações a serem encapsuladas, bem como os sistemas operacionais que devem ser usados em conjunto. A finalidade do encapsulamento, dessa forma, é prevenir a futura perda de dados por simplesmente ignorar a informação no momento em que ela é criada.